Credores privados aceitam participar no alívio da dívida de países mais pobres

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Os representantes dos credores privados da dívida dos países em desenvolvimento mais vulneráveis anunciaram hoje a intenção de participar na iniciativa do G20 que propõe a suspensão dos pagamentos aos credores, entre maio e dezembro.

“O Clube de Paris e o Instituto Financeiro Internacional (IFI) concordaram em colaborar no apoio à Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida acordada entre o G20 e o Clube de Paris, apesar de notarem a complexidade de conseguir uma suspensão do serviço da dívida num prazo tão curto”, dizem os credores numa nota hoje divulgada.

No documento acrescenta-se que “os representantes do setor privado expressaram o forte apoio à iniciativa e estão empenhados em explorar a melhor maneira de participar nesta iniciativa, em termos comparáveis e mediante pedidos específicos dos países endividados”.

De acordo com uma nota colocada hoje no ‘site’ do IFI, o órgão que representa os credores privados a nível mundial, o anúncio surge depois de uma reunião com o Clube de Paris, organização que representa os principais credores bilaterais, ou seja, países e entidades financeiras internacionais como o Fundo Monetário Internacional ou o Banco Mundial.

“Os participantes discutiram a iniciativa proposta pelo G20 e pelo Clube de Paris, incluindo o conjunto dos países e o período de suspensão entre maio e dezembro”, referiu a nota.

Os credores manifestaram “a profunda compreensão dos desafios que os países mais vulneráveis enfrentam” e sublinharam “o seu empenho em trabalhar de forma construtiva para encontrar maneiras de implementar a iniciativa, notando os constrangimentos à participação do setor privado”.

Naquela que foi a primeira resposta oficial à proposta do G20 relativamente a uma suspensão do pagamento do serviço da dívida, os credores mostram-se assim disponíveis em participar no alívio da dívida, embora não se comprometendo com os montantes e deixando claro que o objetivo é que a negociação seja feita individualmente.

“Os participantes [no encontro virtual de hoje] comprometeram-se a trabalhar nas próximas semanas nos termos de referência para uma participação eficaz e voluntária, tendo havido um acordo alargado sobre a importância de uma colaboração ativa entre os credores oficiais e privados relativamente a esta iniciativa vital”, conclui-se no documento que resume a reunião entre os 22 credores oficiais do Clube de Paris e os mais de 70 representantes do setor privado.

O G20 já tinha anunciado há duas semanas a suspensão dos pagamentos de cerca de 20 mil milhões de dólares, cerca de 18,2 mil milhões de euros, devidos pelos países mais pobres este ano em juros sobre a dívida, nomeadamente para os países africanos.

O Fundo Monetário Internacional adiou a receção dos pagamentos da dívida que os países tinham ao Fundo, e o Banco Africano de Desenvolvimento disponibilizou 10 mil milhões de dólares, ou 9,1 mil milhões de euros, para ajudar os governos do continente.

O IFI, associação que representa os credores da dívida a nível mundial, estimou no início deste mês que a dívida soberana e os juros dos empréstimos contraídos pelos países em desenvolvimento e dos mais pobres a pagar este ano rondaria os 140 mil milhões de dólares (127,8 mil milhões de euros).

Os países em desenvolvimento enfrentam um duplo desafio de financiar os cuidados de saúde necessários para combater a pandemia da covid-19 e, ao mesmo tempo, lidar com as consequências do confinamento, que afundou as economias que já de si estavam fragilizadas no seguimento da descida dos preços das matérias-primas.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 227 mil mortos e infetou quase 3,2 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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