Refinação reduz volatilidade do petróleo em mais de 60%

ANGOP

A refinação do crude nos países produtores de petróleo, como é o caso de Angola, reduz em mais de 60 por cento as variações bruscas do seu preço no mercado internacional, afirmou hoje o economista Guineense, Carlos Lopes.

Angola produz na Refinaria de Luanda, a única que possui, apenas 20 por cento dos derivados de petróleo que consome, importando os restantes 80 por cento.

De acordo com números divulgados em Abril último, no primeiro trimestre deste ano, a Sonangol gastou 221,4 milhões de dólares a importar produtos derivados do petróleo para suprir a procura do seu mercado interno, a uma média de 73,8 milhões de dólares por mês, o que deve estar próximo dos valores da importação que está a ser descarregada na Base da Sonils.

Carlos Lopes, que falava à imprensa no fórum de Apoio à Reconversão da Economia Angolana, aconselhou Angola a apostar na transformação petrolífera, ao invés de importar o petróleo bruto.

Para que Angola marque este passo, disse o economista, deverá investir na actividade de refinação, apostar na indústria petroquímica, produção de fertilizantes, entre outras transformações.

O também coordenador residente do Programa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento do PNUD afirmou que Angola faz parte dos 35 países altamente dependentes de matérias-primas.

Considerou pior os países que dependem de uma única matéria-prima, como é o caso de Angola, e justificou que estão expostos à volatilidade de preços nos mercados internacionais, uma situação que acontece com o petróleo.

Ao se referir ao tema do Fórum, uma iniciativa da Associação dos Industriais de Angola (AIA), afirmou que a reconversão da economia nacional necessita da industrialização, quer dizer trazer a economia para a era industrial, o que implica intercâmbios modernos, baseados na formalidade.

O volume de imposto pago para a actividade económica em Angola está avaliado em nove por cento, muito baixo em relação às médias africanas que é de 16 por cento e a internacional que é 35 por cento.

Os impostos, em Angola, reduziram devido à baixa de preço do petróleo no mercado internacional e o que se constata é que uma boa parte dos agentes económicos não paga imposto devido à informalidade e ineficiência do aparelho fiscal.

Disse que Angola, assim como outros países africanos, têm problemas de atraso nas contas nacionais, por falta de qualidade no aparelho estatístico, entre outros problemas.

A dívida soberana da Bélgica e da Holanda, que é semelhante ao do continente africano, ainda assim é considerada sustentável apesar de ultrapassar os 100 por cento do PIB, e a de Angola de 70 por cento é considerada insustentável, porque o seu espaço fiscal é extremamente reduzido e a sua taxa de juros é mais elevada.

Por sua vez, o economista Carlos Rosado, afirmou que a dependência do petróleo revela incapacidade de produzir bens e serviços com preços e uma qualidade competitivas internacionalmente.

Afirmou que o País precisa fazer reformas para permitir uma melhor gestão dos fundos públicos, assim como a independência do Instituto Nacional de Estatística (INE) visando a promoção da transparência e fiabilidade nas informações divulgadas.

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