João Lourenço dá voto de desconfiança ao Ministro das Telecomunicações

Lusa

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O Presidente da República, João Lourenço, deu um voto de desconfiança ao ministro das Telecomunicações atribuindo a coordenação do novo concurso público para a quarta operadora telefónica ao ministro das Finanças, Archer Mangueira.

O ministro das Finanças foi mandatado pelo Presidente da República para coordenar a abertura de um novo concurso internacional para a atribuição do quarto título global no sector das telecomunicações, depois de João Lourenço ter anulado, há uma semana, o primeiro concurso já realizado com igual propósito, na altura, coordenação pelo ministro das Telecomunicações, José da Rocha, ministro de tutela, em que a TELSTAR, com ligações a Augusto Tomás, Higino Carneiro, Pedro de Morais e Luís Brandão, foi divulgada como a vencedora do concurso.

No despacho, divulgado na quinta-feira, o chefe de Estado determinou a criação de um Grupo de Trabalho responsável pela condução do procedimento concursal, que será chefiado por Archer Mangueira, e integrará o ministro das Telecomunicações e o ministro da Economia.

Essa postura do Presidente da República pode ser considerada como um cartão amarelo a José da Rocha, depois deste ter atropelado as regras e conduzido o processo do concurso anterior de forma não transparente, deixando que uma empresa sem histórico participasse e vencesse o concurso, quando uma das regras ditava que as empresas que participaram no concurso deviam apresentar o balanço económico dos últimos três anos, coisa que a TELSTAR não possui, visto que empresa só foi constituída em Novembro de 2017, segundo o comunicado emitido pela própria TELSTAR, depois anulação do primeiro concurso, onde alegava estar a ser “vítima de difamação”, contrariando assim a informação antes divulgada, segundo o qual tivera sido criada em Janeiro de 2018.

Estranho é que o José da Rocha ainda continua a ser ministro, visto que alguns analistas vaticinavam que o Presidente da República fosse exonerá-lo depois ter maculado a sua imagem nacional e internacionalmente, pondo mesmo em perigo todo um esforço que João Lourenço tem vindo a fazer no domínio do combate à corrupção, criação de um ambiente de negócios atractivo para investidores nacionais e estrangeiros e a projecção de uma imagem nova do país ao mundo.

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