BNA estabelece taxa de juro de 7,5% para crédito à produção

Lusa

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O Banco Nacional de Angola (BNA) estabeleceu uma taxa de juro anual de 7,5% para o crédito à produção de produtos essenciais.

O normativo sobre Concessão de Crédito ao Setor Real da Economia prevê a cobrança de taxas de juro de até 7,5% ao ano, incluindo todas as comissões, com vista a garantir a estabilidade financeira dos bancos e a viabilidade económica e financeira dos projetos agrícolas.

Atualmente, a taxa diretora de juros do BNA está fixada nos 15,75%, mais do dobro da prevista para este programa específico de crédito.

Segundo presidente da ABANC, Amílcar Silva, este aviso do banco central angolano promoverá as condições para conceder mais créditos.

O líder da associação que junta quase 30 bancos em Angola refutou as críticas de que aquelas instituições não têm concedido créditos, afirmando que não fazem a todos, “porque muitos não têm condições para fazer crédito”.

“Um dos principais negócios do banco, se não o principal, é o crédito, é fazer captação e conceder crédito. Não o fazer é muito penalizador para os bancos. Se não fazemos créditos é porque não temos condições”, disse o responsável.

Amílcar Silva lembrou que o crédito malparado em Angola ronda os 30% do total, níveis que considerou preocupantes.

“Não podemos ter esse nível de crédito (malparado), porque estamos a perder recursos, esses recursos não voltam ao banco”, frisou.

Em sentido inverso, o administrador do grupo Agrolíder, com forte aposta no setor da agricultura em Angola desde 2006, considerou excelente a iniciativa, que esperava já há algum tempo.

João Macedo considerou a medida importante, tendo em conta que com os juros que estavam a ser aplicados “era impossível as pessoas recorrerem aos créditos”.

“E agora com esta medida, de juros baixos, entre os 7% e os 8% é bastante aceitável para este tipo de investimento, a nível da agricultura e pescas, a disponibilidade também de divisas para o investimento produtivo, é esta dinâmica que o país tem que ter”, referiu.

O empresário antevê “um futuro promissor para os novos projetos que estavam encravados que possam voltar a ter alguma dinâmica”, enaltecendo também a anunciada subvenção de 45% aos combustíveis para a agricultura e pescas.

“É o caminho para que a agricultura, as pescas, a agroindústria, consiga ser relançada no país e depois é preciso ter também bons empresários, que saibam conduzir este veículo que é o seu projeto”, referiu.

Segundo João Macedo, a subvenção irá permitir à empresa que lidera uma poupança de quase dez milhões de kwanzas (27.861 euros) por semana.

 

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