Governo cria barragens para travar a seca no Cunene

O País

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O Ministério da Energia e Águas, João Baptista Borges, revelou esta semana estar em curso um projecto que visa a construção de três barragens de contenção de água, com vista a pôr termo aos efeitos negativos da seca que assola nos últimos anos a região do Cunene. Sem adiantar números sobre quanto este projecto está avaliado, o dirigente acrescentou que a sua implementação deverá ocorrer num período de três anos, sendo as regiões mais afectadas, como a do Cuvelai e Curoca a mereceram prioridade.

Além das barragens, João Baptista Borges disse estarem previstos a implementação de canais de sustenbilidade permitindo que a água seja distribuída para a população e o gado com eficiência. “Vamos realizar esta semana o concurso público para as empresas poderem concorrer no sentido de começarmos com os trabalhos para travar a calamidade a que as populações estão votadas”, explicou Borges. A medida poderá suprir este mal para as populações, quer para o abeberando do gado, bem como, na prática da agricultura de subsistência das comunidades rurais.

Medida de emergência

As autoridades governamentais informam que estará a intervir junto das comunidades com carências de águas e alimentos com cisternas de água embora insuficientes. O governador local, Virgílio Tyova, classificou a situação de calamidade natural, ameaçando a vida de mais de 800 famílias rurais. “Só de cabeçaas de gado este ano já registamos 12 mil mortes”, referiu o dirigente tendo assinalado como mote do problema a excessiva dependência da população das chuvas para o cultivo e o abeberamento do gado, sua principal fonte de sustenbilidade.

Oncócua: a mais afectada

Em termos de divisão administrativa, o município do Curoca conta com duas comunas: a de Oncócua (sede municipal) e Chitado. Os habitantes desta última localidade não sentem tanto a falta de água como os que residem no município sede. A água e a energia eléctrica no Chitado é proveniente da Namíbia. O solo do Curoca é sedimentar e com muitas pedras à mistura, o que torna quase impraticável a agricultura em certas áreas. Quando se agudiza a estiagem nas referidas zonas, a situação torna-se não só preocupante para os habitantes, como para o gado.

A administração municipal e o governo provincial efectuam o levantamento das zonas mais afectadas, com vista à distribuição de cestas básicas às famílias mais vulneráveis. O Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher está, também, a fazer, desde Janeiro, o registo das populações vulneráveis do Curoca, para garantir uma melhor distribuição de bens alimentares e não alimentares. Com efeito, foi criada a “Loja Ibromel do Curoca”, que todos os meses distribui cestas básicas aos mais carenciados que já tenham feito o cadastramento. Entre os produtos, que têm sido distribuídos destacam-se o óleo vegetal, sal, feijão, açúcar e fuba “Mas esta ajuda não é para toda a vida”, garantiu o administrador municipal adjunto do Curoca.

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