Empresário português acusa Kundi Paihama de lhe ter roubado tudo

SOL

Mais conhecido, na altura, como marido da fadista Mariza, com quem tem um filho, António Ferreira entrou em litígio com o seu sócio, o ex-ministro Kundi Paihama.

António Manuel Ferreira da Costa chegou a Angola em 1991 e desde essa altura torna-se parceiro do então governador da província de Luanda, Kundi Paihama, dirigente influente que ainda ganharia maior peso político ao ocupar o cargo de ministro da Defesa Nacional por uma década. Reconhecido como empreendedor, era à época mais conhecido em Portugal como marido da fadista Mariza.

Em 2003, António Ferreira cria a Plurijogos, empresa que se dedica à exploração do jogo em Angola e que detém a marca Casinos de Angola, de que controla 70% do capital; Kundi Paihama tem uma participação de 20% e três outros acionistas os restantes 10%. Tudo corre bem durante seis anos, de tal forma que o empresário português multiplica os seus interesses na economia angolana, construindo um grupo que chega a ter 54 empresas, de diversos sectores.

Só que, em 2009, os dois parceiros rompem relações, com acusações mútuas. António Ferreira deixa de fazer parte da Plurijogos, através de um aumento do capital que acusa ter sido feito com base numa escritura forjada, o que consta, aliás, da queixa feita ao Departamento Nacional de Crimes Contra a Ordem e Tranquilidade Pública da DNIC. Passa de uma posição de controlo para uma participação residual de 1%, ficando a empresa sob o controlo do então ministro da Defesa Nacional, Kundi Paihama.

Pressionado, António Ferreira deixa Angola em 2009. Regressa em 2013, com a perspetiva de um acordo que lhe restituísse parte da participação nos Casinos de Angola. A imprensa refere que as receitas da Plurijogos foram de cerca de 219 milhões de dólares (cerca de 192 milhões de euros), em 2012, e o lucro ascendeu a 83 milhões de dólares (cerca de 73 milhões de euros). Sem acordo assinado, deixa o país definitivamente em 2015 e em 2016 escreve ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos, a pedir a intervenção no processo, sem sucesso.

Mantém-se afastado, mas, mesmo assim, na assembleia geral do BANC realizada em 31 de maio de 2018 surge como titular de 7,21% do capital do banco, o que faz dele o segundo maior acionista da instituição.

 

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