Augusto Tomás arrola alta figuras do governo e do MPLA no processo em que acusado de vários crimes

VOA

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O Tribunal Supremo de Angola ouviu na quarta-feira, 6, altas figuras da hierarquia do MPLA, partido no poder, incluindo o seu secretário-geral, arroladas como testemunhas e declarantes no processo judicial que envolve o antigo ministro dos Transportes, Augusto Tomás.

Tratam-se do actual ministro dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, general João Ernesto dos Santos “Liberdade”, Álvaro de Boavida Neto,secretário-geral do MPLA,o ex-presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), Justino Fernandes, e o presidente da Fundação José Eduardo dos Santos (FESA), Ismael Diogo.

O antigo ministro dos Transportes Augusto da Silva Tomás, acusado de envolvimento no desvio de fundos do Conselho Nacional de Carregadores, começou a ser ouvido, em sede de instrução contraditória, no Tribunal Supremo (TS), em Luanda.

A audiência durou cerca de seis horas, segundo a imprensa pública, e deve continuar nesta quinta-feira..

A instrução contraditória foi pedida pelo advogado do ex-governante, Sérgio Raimundo, e visa aclarar dúvidas no processo ou aferir o grau de culpabilidade do acusado, antes do julgamento.

Este expediente jurídico foi solicitado cinco dias depois de a defesa ter sido notificada da introdução do processo em tribunal, por parte do Ministério Público, cujo prazo terminava para esta quinta-feira, 7.

A defesa pretende que sejam esclarecidas algumas dúvidas jurídico-processual constantes no processo, antes de seguir a julgamento nos próximos dias, mediante despacho de pronúncia do juiz da causa.

Entretanto, o jornalista e investigador Rafael Marques, que esteve na origem das várias denúncias sobre casos de corrupção envolvendo figuras públicas angolanas, disse à VOA que muitos dos acusados repassavam a outras entidades parte do saque que pilhavam dos orçamentos ao seu dispor, para garantir protecção, o que justifica, para o caso do antigo ministro, o envolvimento do Conselho Nacional de Carregadores.

Marques considera que havendo outras figuras do MPLA que tenham beneficiado destes esquemas “os mesmos devem ser constituídos arguidos”.

Augusto Tomás está detido desde 21 de Setembro de 2018 sob a acusação de crimes de peculato, violação das normas de execução do plano e orçamento, abuso de poder, branqueamento de capitais e associação criminosa.

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