Crédito malparado em Angola desceu 0,5 pontos para 3,3 mil milhões de euros em dezembro

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A percentagem de crédito malparado em Angola diminuiu 0,5 pontos, para os 28,3% no final de dezembro de 2018 face ao homólogo de 2017, de acordo com dados do Banco Nacional de Angola.

Segundo os dados das Estatísticas Monetárias, a que a Lusa teve acesso, o total de empréstimos durante o ano passado chegou a 4,16 biliões de kwanzas, o que equivale a 11,7 mil milhões de euros ao câmbio do final do ano passado, dos quais 3,33 mil milhões de euros eram relativos a crédito malparado.

A percentagem de créditos vencidos que os clientes não conseguem pagar aos bancos desceu, assim, 0,5 pontos percentuais entre dezembro de 2017 e dezembro do ano passado, mas olhando apenas para os 12 meses de 2018, constata-se que esta percentagem subiu de 27,8%, no final de janeiro, para 28,3% no final de dezembro.

Observando a evolução pelos 12 meses do ano passado, constata-se que o crédito malparado esteve sempre a subir desde o início do ano, com 27,8% em janeiro e atingiu a percentagem mais alta face ao valor do total dos empréstimos em maio, com 32,7%, descendo a partir daí.

Há cerca de duas semanas, o vice-governador do Banco Nacional de Angola, Tiago Dias, considerou o valor de quase 30% de crédito malparado “bastante alto”, principalmente em comparação com os países vizinhos que também atravessaram crises económicas nos últimos anos.

“É bastante alto se formos a compará-lo com aquilo que são os indicadores de países próximos de nós, os situados na nossa região [da África austral], que também viveram situações difíceis de crise a um dado momento do seu desenvolvimento económico e social”, disse, no final Conferência sobre Financiamento ao Setor Privado, promovida pelo banco central angolano, a 23 de janeiro.

“A génese do crédito malparado começa com a degradação dos principais indicadores da atividade económica, principalmente nos últimos anos, que fez com que o setor empresarial conhecesse dificuldades e, por consequência, alguns operadores económicos deixaram de honrar os seus compromissos para com os bancos”, argumentou.

Segundo o vice-governador do banco central angolano, as soluções podem passar pelo “saneamento de algumas empresas”, pelo “reforço e consolidação dos próprios bancos” e também pela “resolução dos problemas pendentes do Estado para com o setor empresarial.

“Mas esta é uma questão que está a ser resolvida pelo executivo, principalmente no âmbito do programa assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Está previsto que o executivo regularize os atrasados que tem para com o setor empresarial”, acrescentou.

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