Angola disponível para apoiar desenvolvimento na República Democrática do Congo

Lusa

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Angola manifestou disponibilidade para apoiar o desenvolvimento na República Democrática do Congo (RDC), mensagem que será reiterada pelo chefe da diplomacia angolana, Manuel Augusto, presente hoje na tomada de posse do novo Presidente congolês, indica uma nota oficial.

Segundo uma nota do Ministério das Relações Exteriores (MIREX) de Angola, Manuel Augusto irá representar Angola na posse de Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, eleito na sequência das eleições presidenciais realizadas a 30 de dezembro de 2018 na RDC.

Antes, o Presidente angolano, João Lourenço, numa mensagem, manifestou solidariedade a Félix Tshisekedi e disponibilidade para apoiar todas as ações destinadas a impulsionar o progresso e o desenvolvimento do país vizinho, com quem tem 2.511 quilómetros de fronteira.

“Estamos convencidos de que Vossa Excelência empreenderá todos os esforços ao seu alcance, no sentido de promover a inclusão de todas as forças vivas da nação congolesa e de garantir a estabilidade necessária para edificar as bases sobre as quais assentarão a concretização dos anseios dos congoleses à democracia plena, ao respeito pelas diferenças e a observância estrita dos direitos humanos”, lê-se na mensagem.

Félix Tshisekedi, 55 anos, foi eleito com 38,57% na votação de 30 de dezembro e sucederá a Joseph Kabila.

A prestação de juramento está prevista para começar às 12:00 locais (11:00 em Lisboa) no Palácio da Nação em Kinshasa, sede da atual presidência.

Esta é a primeira passagem do poder pacífica de um Presidente ao seu sucessor desde a independência do ex-Congo Belga, proclamada no mesmo Palácio da Nação a 30 de junho de 1960.

Tshisekedi prepara-se para se tornar no quinto Presidente da República do país, ao assumir as funções de Joseph Kabila, que prestou juramento em 26 de janeiro de 2001, dez dias depois do homicídio do seu pai e antecessor, Laurent-Désiré Kabila, por um guarda-costas.

A vitória de Tshisekedi nas eleições de 30 de dezembro não é reconhecida pelo outro candidato da oposição, Martin Fayulu, que se autoproclama “presidente eleito” e denuncia reiteradamente a “fraude eleitoral” de Kabila, com a cumplicidade de Tshisekedi.

Os argumentos de Fayulu encontram apoio na contagem paralela dos votos pela poderosa Conferência Episcopal congolesa, que deslocou mais de 40 mil observadores para as estações de voto em todo o país, assim como com uma investigação divulgada pelo Financial Times.

O diário britânico teve acesso aos dados das estações de voto eletrónico utilizadas nas eleições, correspondentes a 86% dos votos escrutinados em todo o país, que mostram a vitória de Fayulu, com 59,4% dos votos, contra uns muito distantes 19% dos boletins escrutinados a favor de Tshisekedi e 18% dos votos recebidos por Emmanuel Shadary, o terceiro candidato mais votado, delfim do Presidente cessante, Joseph Kabila.

Os dados do FT e da Igreja Católica no país “correlacionam-se quase exatamente”.

Depois de várias hesitações – e após a validação pelo Tribunal Constitucional da RDCongo dos resultados divulgados pela comissão eleitoral do país (CENI) -, a União Africana e a União Europeia indicaram através de um comunicado conjunto que estavam disponíveis para “trabalhar com o presidente Tshisekedi e com todos os partidos congoleses”.

Tshisekedi deverá escolher um chefe de Governo entre os deputados pertencentes à maioria parlamentar, apoiante de Joseph Kabila.

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