Parte do dinheiro emprestado pela China vai para os credores chineses




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O ministro das Finanças de Angola, Archer Mangueira, esclareceu, em Beijing, que “parte” dos 2 mil milhões de dólares que serão financiados pelo Governo da China “servirá para a regularização da dívida com os credores chineses”.

Em declarações à imprensa, a propósito dos acordos rubricados na última terça-feira, entre os governos de Angola e da República Popular da China, disse ser pretensão das autoridades angolanas concorrer, com esse novo crédito, para a amortização da dívida, a médio e longo prazos.

A linha de crédito é parte de um acordo assinado entre o Ministério das Finanças de Angola e o Banco de Desenvolvimento da China (CDB), no quadro da visita de Estado do Presidente da República, João Lourenço, a China.

Sem especificar a taxa de juros a aplicar no âmbito dessa nova linha de crédito e os termos do reembolso, Archer Mangueira fez saber que esse novo financiamento da China se destina à execução de projectos capazes de criar rendimentos para o país.

“Será destinado para financiar projectos que possam alavancar o sector produtivo, de tal maneira que possam, a médio e longo prazo, aumentar o volume de receitas, principalmente aquelas voltadas para a exportação”, sublinhou o ministro das Finanças.

É propósito das autoridades angolanas, com esse financiamento, “reduzir a pressão sobre a balança de pagamentos e o stock da dívida, além de criar novas áreas de dinamização da economia e novos espaços para o desenvolvimento sócio-económico”.

Segundo Archer Mangueira, já foram identificados vários projectos que beneficiarão dessa linha de crédito de 2 mil milhões de dólares, designadamente nos sectores da construção, energia e águas e indústria, capazes de alavancar o sector produtivo, diversificar a economia e alterar a actual trajectória do endividamento público do país.

O crédito, explicou, será atribuído no quadro das facilidades que têm sido acordadas e negociadas entre as autoridades angolanas e Banco de Desenvolvimento da China.

Como qualquer outro empréstimo, advertiu o ministro, essa nova linha de crédito terá impacto directo sobre a economia e, de alguma forma, aumentará o stock da dívida.

“Qualquer acordo de financiamento tem impacto na dívida, porque significa empréstimo de um país para o outro. De alguma forma, aumenta o stock da dívida”, declarou.

Dados oficiais do Governo Angolano apontam que, até Setembro de 2018, Angola tinha uma dívida acumulada para com a China, estimada em 23 mil milhões de dólares.

A China, um parceiro estratégico e o principal financiador de infra-estruturas de Angola, abriu a sua primeira linha de crédito para o país em 2002.

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