ECONOMIA

África cresce menos de 4% este ano e fica aquém dos objetivos

As economias africanas deverão crescer em média, 3,6% este ano e acelerar ligeiramente para 3,9% em 2019, de acordo com a atualização do relatório das Nações Unidas sobre a Situação Económica Mundial.

“O crescimento das economias em África neste e no próximo ano deverá situar-se nos 3,6% e 3,9%, respetivamente, apoiado num aumento dos preços das matérias-primas e maior crescimento global, mas este ritmo de crescimento encontra-se bastante abaixo dos níveis necessários para erradicar a pobreza extrema, conforme estipulado no Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 1 da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, salientou à Lusa a coordenadora da parte do relatório sobre África

Entre as principais tarefas urgentes para a generalidade dos países africanos está “aumentar o potencial de crescimento do médio prazo”, disse Helena Afonso, acrescentando que “urge também atender às vulnerabilidades que se estão a formar em muitos países, sobretudo no que se refere à dívida pública, e atender às várias crises humanitárias no continente”, concluiu a analista económica responsável por África nas Nações Unidas.

A dívida pública nos países africanos tem subido de forma significativa nos últimos anos, tendo atingido, em média, um rácio de 50% face ao PIB, o que é considerado demasiado elevado face às necessidades de despesas de investimentos em infraestrutura na generalidade destes países.

Sobre os países lusófonos, Helena Afonso destacou que “a economia de Cabo Verde deverá crescer cerca de 4% por ano em 2018 e 2019, ou seja, aproximadamente o dobro da taxa de crescimento observada entre 2010 e 2017”, o que se explica, “por um lado, pelas baixas taxas de crescimento observadas de 2012 até 2015 fruto da crise na Europa e, por outro, ao crescimento atual, que se deverá sobretudo ao aumento das receitas do sector do turismo, mas também a fluxos de investimento e aumento das remessas de emigrantes na Europa”.

Ainda assim, “dado o elevado nível de dívida pública (acima de 120% do PIB) é esperada alguma contenção orçamental no futuro próximo”, concluiu a analista sobre o arquipélago de Cabo Verde.

Já a Guiné-Bissau deverá “moderar um pouco o crescimento em 2018-2019, mas continuando acima dos 5%, apesar da instabilidade política ainda por resolver no país”.

A agricultura e os investimentos públicos em infraestruturas e serviços sociais deverão suportar o crescimento, disse Helena Afonso, notando que “a produção industrial também contribuirá mais por via de um aumento da exploração de petróleo”.

O maior risco para as previsões sobre a Guiné-Bissau “decorre da situação política a qual, se se deteriorasse, prejudicaria ainda mais a confiança dos investidores e o turismo”, mas “outro risco importante decorre da alta exposição da economia às variações do clima, dada a grande importância do sector da agricultura no PIB”, vincou a responsável pela análise económica africana na ONU.

Ao contrário, a economia de São Tomé e Príncipe deverá “acelerar moderadamente o seu crescimento para cerca de 5% em 2018-2019, suportada por investimentos públicos em infraestruturas e pela atividade nos setores do turismo e da construção”, diz Helena Afonso.

No entanto, “este nível de crescimento é insuficiente para se traduzir em melhorias significativas nas condições de vida da população ou num decréscimo do nível de pobreza, nota a analista, que diz ainda que “as próximas eleições poderão criar alguma pressão fiscal, o que constitui um risco negativo para as previsões”, mas, por outro lado, “as reservas estrangeiras poderão ser beneficiadas mais do que o previsto com o crescimento do interesse na aquisição de direitos de exploração de petróleo pertencentes ao país”.

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