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Deslocados internos ascenderam a 30,6 milhões em 2017

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Os conflitos e os desastres naturais foram responsáveis por mais de 30,6 milhões de deslocados internos em 2017, indica um relatório conjunto de duas organizações não governamentais internacionais, divulgado hoje em Genebra.

No documento, enviado à agência Lusa, o Centro de Monitorização de Deslocados Internos (IDMC na sigla inglesa) e o Conselho de Refugiados Norueguês (NRC, também no acrónimo inglês) realçaram que o total de deslocados internos “é o equivalente a mais de 80 mil deslocados por dia.

“A dimensão destes números está a quebrar as uniões familiares. O relatório mostra porque temos de promover uma nova abordagem para colmatar os enormes custos dos deslocados internos, não apenas individuais, mas também na economia, na estabilidade e segurança dos países afetados”, afirmou Alexandra Bilak, diretora do IDMC.

Nos pontos-chave do Relatório Global sobre Deslocados Internos (GRID 2018), os autores indicam que 11,8 milhões de pessoas tiveram de abandonar a zona de residência devido a conflitos e à violência, quase o dobro do número registado em 2016 (6,9 milhões).

Devido aos conflitos, a África Subsaariana contou com cerca de 5,5 milhões de deslocados internos, seguida pelas regiões do Médio Oriente e África do Norte, com 4,5 milhões.

Com estes novos dados, o total acumulado de deslocados internos em todo o mundo apenas devido a conflitos e atos de violência subiu para perto de 40 milhões de pessoas.

“O elevado número de pessoas forçadas a abandonar as suas casas devido a conflitos e à violência deve servir para abrir os olhos de toda a gente. Estamos a melhorar na assistência de urgência humanitária, mas precisamos de esforços bem maiores para prevenir que surjam mais deslocados. Temos de proteger as populações e encontrar soluções para o longo prazo”, disse Jan Egeland, secretário-geral do NRC.

O relatório indica que, em 2017, os desastres naturais provocaram 18,8 milhões de deslocados internos em 135 países, 8,6 milhões deles devido a inundações e 7,5 milhões por tempestades, sobretudo por ciclones tropicais.

Os países mais afetados foram a China, com 4,5 milhões de deslocados internos, as Filipinas, com 2,5 milhões, Cuba e Estados Unidos, ambos com 1,7 milhões, e Índia, com 1,3 milhões.

Em 2017, os ciclones obrigaram milhões de pessoas em todo o mundo a abandonar as zonas de residência, incluindo o registado no Bangladesh (Mora), em maio, e o que ocorreu no oceano Atlântico (Irma), em agosto.

Segundo o documento, existem ainda situações complexas de urgência humanitária em países como o Iémen e o Sul do Sudão, envolvendo uma significativa diminuição do Estado de Direito, a fragilidade económica e o acesso limitado ao apoio humanitário, o que tem aumentado também o total de deslocados internos.

“O fenómeno dos deslocados internos traz associado, normalmente, o início de crises ainda maiores. Depois de se assistir a alguns progressos na aplicação de políticas de defesa e prevenção desde a aprovação do Guia de Princípios sobre esta questão há 20 anos, está agora claro que ainda nos encontramos muito longe de a resolver e, ainda mais, de reduzir a dimensão do problema”, frisou Bilak.

“Sem uma nova abordagem, corre-se o risco de falharmos na ajuda a milhões de deslocados internos em todo o mundo. Chegou a hora de se ter uma conversa honesta entre todos para analisar os meios mais eficazes para mudar esta crise global. Estas conversas deverão ser lideradas pelos países afetados, que devem, por seu lado, receber todo o apoio da Comunidade Internacional” concluiu Bilak.

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