ECONOMIA

Governador do banco central diz que ajustamento cambial vai continuar

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O governador do Banco Nacional de Angola (BNA) disse hoje, em Luanda, que o exercício de ajustamento cambial, ainda com as suas dificuldades, vai continuar, mesmo com os avanços atingidos até à presente data.

José de Lima Massano, que falava aos jornalistas à margem da discussão na especialidade na Assembleia Nacional de duas propostas legislativas para o repatriamento de capitais angolanos no exterior, comentava a “ligeira” variação do kwanza, moeda nacional, face ao euro, na semana passada, de perto de 2%.

“Tivemos duas operações de leilões na semana e que levaram a uma ligeira variação da moeda, no conjunto ficou perto de 2%”, disse o governador do BNA.

Segundo o governador do banco central angolano, o ajustamento cambial é um exercício que vai continuar, sendo satisfatórios os resultados alcançados até ao momento.

Desde a introdução do novo regime cambial flutuante, em janeiro, o kwanza já se desvalorizou em mais 32% face ao euro, que passou a ser a moeda estrangeira de referência para Angola.

“Nós estamos muito satisfeitos com o que já aconteceu, quer do acesso à moeda, está mais aberto, mais generalizado, às empresas, que há largos meses, nalguns casos até anos, não conseguiam fazer qualquer transação, e hoje já fazem algumas”, referiu.

O responsável do BNA destacou igualmente o diferencial entre os mercados formal e informal, que tende a baixar, situando-se neste momento em cerca de 70%, contra os mais de 150% iniciais àquele exercício.

“Temos os preços na economia que se tem mostrado estável, vamos ver agora o mês de abril. Dentro de dias o Instituto Nacional de Estatística vai também publicar. Ou seja, o ajustamento cambial não terminou ainda, vai continuar, a nossa expectativa é que seja cada vez mais branda, à medida que nos vamos aproximando de um novo ponto de equilíbrio”, frisou.

José de Lima Massano admitiu que continua a ser mais alta a pressão na banda mais alta, no âmbito do recente sistema cambial angolano, havendo por isso ainda “algumas situações que têm de facto de ser tratadas”.

No âmbito dessas questões, informou que na semana passada terminou a primeira fase de um processo de reconhecimento de tudo que são responsabilidade, sobretudo das empresas, em relação ao exterior por regularizar.

“Situações que vêm de anos do atual exercício económico e vamos, concluído este trabalho de validação – estamos neste momento a efetuar – ter condição de definir também um caminho para permitir que as nossas empresas possam resolver o conjunto de pendentes que têm em relação ao exterior do país”, salientou.

Para alguns casos, avançou José de Lima Massano, será possível realizar uma afetação total dos recursos devidos ao exterior, noutros “em função da magnitude” será estabelecido um calendário, sendo principal objetivo “dar maior tranquilidade e segurança aos operadores económicos e também aos seus parceiros no mercado internacional”.

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