POLÍTICA

Manuel Vicente dá com os pés a JES e junta-se a João Lourenço

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O antigo vice-presidente da República e também ex-PCA da Sonangol, Manuel Vicente, acusado publicamente por Isabel dos Santos de ter sido a pessoa responsável pelo declínio da Sonangol, é agora novo conselheiro de João Lourenço para assuntos de petróleo e gás, noticiou African-Confidential que cita fonte próxima do Palácio Presidencial.

De acordo com a mesma fonte, Manuel Vicente tem actualmente um escritório próximo ao Palácio Presidencial e realiza frequentemente reuniões com João Lourenço e com os membros da equipa presidencial. É tido como responsável pela indicação de Carlos Saturnino para o cargo de PCA da Sonangol, posição para qual João Lourenço inicialmente queria indicar Toninho Van-Dúmen mas, que por influência de Vicente acabou sendo Saturnino.

Manuel Vicente que durante muito tempo foi homem de confiança de José Eduardo dos Santos, decidiu virar as costas a dos Santos e juntar-se a João Lourenço tal como Albina Assis, Valdemiro Vaz da Conceição, Botelho de Vasconcelos e Caros Feijó.

Actualmente sob acusação em Portugal por branqueamento de capitais e por ter corrompido o promotor público português, Orlando Figueira, para arquivar processos em que era visado, Manuel Vicente é motivo de tensão diplomática entre Angola e Portugal.

O Expresso avançou recentemente que em retaliação as constantes recusas da justiça portuguesa em transferir o processo de Manuel Vicente para as autoridades angolanas, João Lourenço adiou a nomeação de um novo embaixador para Lisboa.

Fontes próximas da Cidade Alta disseram ao Expresso que o Presidente da República está agastado com situação envolvendo o ex-vice-presidente e que “quer ser levado a sério”.

Embora o governo angolano tenha desmentido a informação avançada pelo Expresso, dizendo que não pretende deixar Lisboa sem embaixador, até a presente data, quase duas semanas depois da exoneração de Marcos Barrica, o Presidente da República ainda não nomeou oficialmente um novo embaixador para Lisboa. Alimentando a suspeição de uma subida de tensão e deterioração das relações entre os dois Estados, tudo para salvar o seu novo conselheiro, um homem que fazia parte do círculo do ex-presidente e que supostamente é responsável pelo desaparecimento de biliões de dólares das contas do Estado nos últimos 20 anos, e, que levará certamente as pessoas a questionarem as verdadeiras intenções do combate à corrupção que até agora só visou os filhos do ex-presidente.

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