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Ser mulher requer coragem

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Sendo hoje o dia internacional da mulher, estava eu a fazer uma reflexão sobre as mulheres em geral. O dia é celebrado alusivo as conquistas políticas e socioeconómicas que as mulheres foram adquirindo nesses anos todos. E é incrível que esta data tenha sido oficializada em 1921 e hoje 91 anos depois, as mulheres ainda continuam a lutar pela mesma igualdade de direitos. Em alguns países menos do que em outros, mas de uma forma geral essa igualdade ainda não existe na sua totalidade.

Reflectindo sobre isso, não poderia deixar de pensar onde erramos. Como é possível que até hoje 91 anos depois continuamos na mesma luta? Será que usamos estratégias erradas ou os homens é que são assim tão renitentes ao ponto de mostrarem tanta resistência em dividir os direitos? Obviamente que não tenho respostas concretas para essas perguntas, mas reflectindo sobre a minha trajectória como mulher começo a formar uma ideia.

Se antigamente as mulheres eram na sua maioria educadas apenas para serem boas donas de casa, nesses últimos 100 anos as mulheres têm também sido educadas para exercerem cargos profissionais na sociedade. Porem, nos mesmos últimos 100 anos os homens continuam apenas a serem educados para exercerem cargos profissionais na sociedade. Eu fui criada e educada pelo meu pai e por madrastas e tias até me tornar adulta e independente. O foco do meu pai na minha educação era que eu me formasse e me tornasse social e economicamente independente.

“Tens que ser independente para que não te tenhas que te submeter a nenhum cabrão”, dizia ele.

Já as minhas madrastas e tias importava-lhes mais que aprendesse os trabalhos domésticos para que no futuro fosse uma “boa dona de casa, caso o contrário seria difícil “arranjar marido”.

Apesar de que estes focos as vezes chocavam, de uma forma geral, o meu pai não discordava totalmente delas. Eu amava a escola e detestava os trabalhos domésticos. Lembro-me de uma vez que o meu pai encontrou-me a chorar e atrasada na escola por estar a 1 hora a tentar arranjar uma daquelas garoupas gigantes. Mesmo contra a vontade da minha madrasta, o meu pai mandou pegar nos meus cadernos e levou-me para escola. Porém, o que torna isso tudo interessante é que apesar de se exigir o mesmo nível de prestação na escola dos meus irmãos, não se exigia a mesma excelência nos trabalhos domésticos. Alias, numa das minhas madrastas, os rapazes em casa só precisavam de comer e tomar banho. Ou seja como mulher fui educada para desempenhar com excelência dois papéis: ser uma boa profissional e ser uma “boa dona de casa”. E assim como eu, a maior parte das mulheres em todo mundo. Isso criou um desequilíbrio total entre a educação dos homens e das mulheres. O mais agravante é que, como consequência dessa educação, tanto as mulheres como os homens crescem desde pequeninos com a ideia de que uma mulher deve servir um homem (dar-lhe filhos, cozinhar para ele e cuidar da sua roupa), e um homem cresce com a ideia de que deve ser servido da mesma forma por uma mulher. Isso independentemente do facto de a mulher trabalhar ou não.
Portando, eu acredito que temos de mudar, é educar os homens da mesma maneira que educamos as mulheres, para que tanto os direitos como os deveres sejam iguais para ambos os sexos.

Desta forma, vamos evitar que os homens cresçam pensando que têm direitos sobre as mulheres e usufruem de privilégios que as mulheres não podem usufruir. E ao mesmo tempo evitamos que as mulheres cresçam acreditando que têm que se submeter aos homens e que não têm a liberdade de usufruir dos mesmos privilégios que os homens usufruem.
Espero que tenham gostado e sintam-se livre para deixar o vosso comentário. Não se esqueçam de sonhar e lutar sempre pela realização dos vossos sonhos.

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Sobre ANGODIVA 18 artigos
A Cinosanda Sandele "Angodiva", é economista e blogueira angolana que escreve regularmente sobre motivação, inspiração e moda para o Guardião. Deseja saber mais sobre ela? Visite o seu blogue: www.angodiva.com ou siga-lhe no Instagram ou Facebook.