José Eduardo dos Santos volta a ribalta com posição reforçada no partido

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O ex-chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, voltou hoje a presidir a uma reunião máxima do MPLA, mais de um mês depois de ter orientado a reunião ordinária do comité central, quando recebeu uma declaração de apoio.

O líder do MPLA, partido no poder desde 1975, presidiu, em Luanda, à 13.ª reunião ordinária do bureau político, informou fonte partidária em nota enviada à imprensa.

Entre outros assuntos, a nota refere que foi analisado o projeto de resolução sobre a eleição de novos membros para o bureau político, tendo participado na mesma, ainda, o vice-presidente do MPLA e chefe de Estado, João Lourenço, o secretário-geral do partido, Paulo Kassoma, bem com o presidente da Assembleia Nacional, Fernando da Piedade Dias do Santos.

Posição reforçada

O ex-presidente da República tem a sua posição no partido reforçada, após três figuras de destaque dos “camaradas” terem suspendido seus mandatos de deputados no parlamento para se juntarem ao “mais velho” no partido, é o caso de Virgílio Fontes Pereira, um dos históricos do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que liderou durante vários anos o grupo parlamentar do partido, depois de já ter sido ministro da Administração do Território e ministro do Urbanismo e Ambiente, assim como o jurista Carlos Feijó e do ex-diretor do Gabinete de Quadros da Casa Civil do Presidente da República, Aldemiro Vaz da Conceição.

Momento de grande tensão

Entende-se que a movimentação destas três figuras de extrema confiança de José Eduardo dos Santos, para o partido foram feitas no intuito de bloquear a entrada de aliados de João Lourenço no órgão directivo do partido e assim enfraquecer a posição deste dentro do MPLA.

Fontes próximas do MPLA dizem que o presidente José Eduardos Santos tem vindo a pesquisar um sucessor, fora de João Lourenço, para o substituir na liderança do Partido.

As mesmas fontes avançaram que dos Santos pediu a Manuel Vicente para assumir a liderança do partido, mas este recusou.

A eleição de novos membros para o bureau político terá lugar no momento de grande tensão, depois de João Lourenço ter exonerado, Isabel dos Santos do cargo de presidente do conselho de administração da Sonangol, e ignorado a Lei sobre mandato das chefias militares, uma lei inconstitucional, que tinha como objectivo único proteger os interesses de José Eduardo dos Santos.

Estratégia de João Lourenço

Depois de ter chicoteado tudo e todos, João Lourenço está a tentar reunir suporte, razão pela qual os ministros do Interior, Ângelo de Veiga Tavares,  das Relações Exteriores, Manuel Augusto, e agora o também o ministro da Comunicação Social, João de Melo, têm vindo a defender publicamente Manuel Vicente e Archer Mangueira, no sentido de acalmar o espírito de algumas figuras do partido que já estavam com o coração na mão, informam fontes próximas ao MPLA.

Manuel Augusto e João Melo defendem que o processo de Manuel Vicente deve ser entregue às autoridades angolanas, e que Portugal ao não permitir que isso aconteça, está a violar o acordo judiciário assinado pelos dois países.

“O acordo judiciário Angola-Portugal permite que todos os cidadãos dos dois países sejam julgados nos seus países pelos crimes de que foram acusados no outro”.

Manuel Augusto foi mais longe ao dizer que não haverá cooperação entre Angola e Portugal enquanto o caso “Manuel Vicente” não tiver desfecho.

Já o ministro do Interior, Ângelo de Veiga Tavares, garantiu em comunicado à imprensa que Archer Mangueira não é objecto de investigação pelo SIC, e que a informação posta a circular, dando conta do seu envolvimento no caso de, Edson Vaz e Ilda Jamba, acusados de “terem celebrado contratos de empreitadas com empresas fantasmas, cujos pagamentos terão sido feitos como se tivesse prestado serviços ao Estado angolano”, são falsas e difamatórias. Num tom de ameaça assegurou investigar a origem das informações.

O país só ganha

O país vive um dos momentos mais interessantes da sua história. Nunca nos 42 anos da sua existência, Angola e os angolanos testemunharam uma clara divisão de poderes entre o executivo e partido que suporta o governo.  Caso o contexto actual se mantenha, segundo João Paulo Ganga em entrevista a Rádio Ecclesia, significará o fim do partido-estado onde se vai assistir a despartidarização dos órgãos de Estado.

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